Morrer para saberem quem sou
(página de um diário fragmentado e soluçante)
Como há meses que não escrevo nada neste blog, vou pedir licença para fixar nele dois ou três dos muitos pensamentos que me têm provocado os comentários surgidos na imprensa e na televisão, a propósito do falecimento de alguns personagens da nossa praça.
Não vou discutir os méritos ou deméritos das pessoas, nem espantar-me com aquilo que já se ouvia na minha aldeia, quando eu ainda era criança: que para alguém ser bom, basta morrer.
Queria apenas falar de um exemplo das últimas semanas, que, digo-o com uma certa vergonha, mas sem rodeios, constituiu uma enorme surpresa para o poente da minha jornada histórica.
Falo de Maria José Nogueira Pinto!
Foram anos seguidos a ouvir falar dela, das suas intervenções na vida política, partidária e não partidária; em discursos cuja coerência nem sempre era fácil de descobrir, sobretudo quando os outros, os que navegavam em águas diferentes… não é que não estivessem de acordo: simplesmente tinham medo de parecer apoiantes de quem discordava da sua ideologia.
Fico contente por ver que muitos, após a sua morte, vieram a terreiro falar das suas qualidades de mulher – esposa e mãe – de cidadã; “cristã empenhada” chamou-lhe um seu companheiro de luta juvenil, mas que ideologicamente sempre esteve do outro lado.
É bonito e, de certo modo, reconfortante.
Mas não deixa de ser triste que tenhamos de morrer para descobrirem a generosidade da nossa luta: às vezes vem-nos a tentação de pensar que, afinal, também nisto pode hver muita hipocrisia.
(página de um diário fragmentado e soluçante)
Como há meses que não escrevo nada neste blog, vou pedir licença para fixar nele dois ou três dos muitos pensamentos que me têm provocado os comentários surgidos na imprensa e na televisão, a propósito do falecimento de alguns personagens da nossa praça.
Não vou discutir os méritos ou deméritos das pessoas, nem espantar-me com aquilo que já se ouvia na minha aldeia, quando eu ainda era criança: que para alguém ser bom, basta morrer.
Queria apenas falar de um exemplo das últimas semanas, que, digo-o com uma certa vergonha, mas sem rodeios, constituiu uma enorme surpresa para o poente da minha jornada histórica.
Falo de Maria José Nogueira Pinto!
Foram anos seguidos a ouvir falar dela, das suas intervenções na vida política, partidária e não partidária; em discursos cuja coerência nem sempre era fácil de descobrir, sobretudo quando os outros, os que navegavam em águas diferentes… não é que não estivessem de acordo: simplesmente tinham medo de parecer apoiantes de quem discordava da sua ideologia.
Fico contente por ver que muitos, após a sua morte, vieram a terreiro falar das suas qualidades de mulher – esposa e mãe – de cidadã; “cristã empenhada” chamou-lhe um seu companheiro de luta juvenil, mas que ideologicamente sempre esteve do outro lado.
É bonito e, de certo modo, reconfortante.
Mas não deixa de ser triste que tenhamos de morrer para descobrirem a generosidade da nossa luta: às vezes vem-nos a tentação de pensar que, afinal, também nisto pode hver muita hipocrisia.
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