
Entre Leptis Magna a Trípoli
Cartago, 7 de Março de 203: Roma, que, pelas armas e a diplomacia, transformara o Mediterrâneo no mare nostrum com que havia séculos sonhavam as grandes famílias donde provinham magistrados e legionários, sentia-se, no entanto, ameaçada por um inimigo interno que parecia crescer e fortalecer-se, precisamente na medida em que o combatia.
Mário e Sila, depois de Cipião, haviam conseguido que o Margrebe, apesar do carácter indomável dos Berberes, percebesse finalmente quanto tinha a ganhar com a sua inserção no mundo romano; e aqueles que, como acontecera com Jugurta, ambicionavam promoções pessoais, imitando os colonos vindos do outro lado do mar, aderiam de armas e bagagens à guerrilha do cursus honorum, por onde poderiam chegar à suprema magistratura da Nação.
Fora o que acontecera com Lúcio Septímio Severo, que, nascido na cidade vizinha de Leptis Magna, 57 anos antes, há dez que era o senhor supremo de todo o Império, cujas fronteiras se alargavam permanentemente, graças às vitórias dos soldados – as legiões haviam mudado de nome e estatuto – sob o comando deste berbere, que tinha finalmente nas mãos os instrumentos necessários a uma resposta cabal ao que na sua mente gerava a mistura da pertinácia – Pertinax, aliás era um dos seus nomes de família - dos margrebinos, com a ambição romana.
7 de Março de 203, Septímio Severo, 57 anos de idade e 10 de Império, impotente, como os seus antecessores perante o avanço do cristianismo, como eles ordena que sejam perseguidos até à morte os aderentes a essa nova fé.
Em Cartago, ali, a dois passos da cidade natal do Imperador, que a transformara na grande concorrente das outras cidades africanas do Império, duas mulheres, uma das quais mãe de família, pagavam com a vida a coragem com que haviam defendido a sua liberdade de consciência.
Leptis Magna chama-se hoje Trípoli, como Cartago se pode identificar com Tunes.
Os tiranos mudaram de nome, mas não perderam nada em crueldade; o que talvez seja novo é a hipocrisia dos poderosos que fingem defender os valores constantemente ameaçados, mais por esta hipocrisia do que por aquela crueldade.
Cartago, 7 de Março de 203: Roma, que, pelas armas e a diplomacia, transformara o Mediterrâneo no mare nostrum com que havia séculos sonhavam as grandes famílias donde provinham magistrados e legionários, sentia-se, no entanto, ameaçada por um inimigo interno que parecia crescer e fortalecer-se, precisamente na medida em que o combatia.
Mário e Sila, depois de Cipião, haviam conseguido que o Margrebe, apesar do carácter indomável dos Berberes, percebesse finalmente quanto tinha a ganhar com a sua inserção no mundo romano; e aqueles que, como acontecera com Jugurta, ambicionavam promoções pessoais, imitando os colonos vindos do outro lado do mar, aderiam de armas e bagagens à guerrilha do cursus honorum, por onde poderiam chegar à suprema magistratura da Nação.
Fora o que acontecera com Lúcio Septímio Severo, que, nascido na cidade vizinha de Leptis Magna, 57 anos antes, há dez que era o senhor supremo de todo o Império, cujas fronteiras se alargavam permanentemente, graças às vitórias dos soldados – as legiões haviam mudado de nome e estatuto – sob o comando deste berbere, que tinha finalmente nas mãos os instrumentos necessários a uma resposta cabal ao que na sua mente gerava a mistura da pertinácia – Pertinax, aliás era um dos seus nomes de família - dos margrebinos, com a ambição romana.
7 de Março de 203, Septímio Severo, 57 anos de idade e 10 de Império, impotente, como os seus antecessores perante o avanço do cristianismo, como eles ordena que sejam perseguidos até à morte os aderentes a essa nova fé.
Em Cartago, ali, a dois passos da cidade natal do Imperador, que a transformara na grande concorrente das outras cidades africanas do Império, duas mulheres, uma das quais mãe de família, pagavam com a vida a coragem com que haviam defendido a sua liberdade de consciência.
Leptis Magna chama-se hoje Trípoli, como Cartago se pode identificar com Tunes.
Os tiranos mudaram de nome, mas não perderam nada em crueldade; o que talvez seja novo é a hipocrisia dos poderosos que fingem defender os valores constantemente ameaçados, mais por esta hipocrisia do que por aquela crueldade.
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