Até ao fim.
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo (João: 13, 1).
Não sei se este até ao extremo traduz bem o “eis ta ésghata”, do grego. O que me parece é que o tradutor está demasiado inquieto com a cena de Jesus lavando os pés aos discípulos e não entende todo o alcance da afirmação de João, que quer levar-nos até ao mais íntimo do coração do Mestre, do seu amor pelo Pai, cuja vontade era a nossa salvação, da absoluta inteireza com que levou até ao fim a lealdade para com aqueles a quem chamava amigos.
Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá (João: 15,15-16).
E Jesus quer que os seus discípulos percebam o sentido desta amizade, que tem de existir também entre eles, com a mesma dinâmica e as mesmas exigências… até ao fim, no caminho e na meta: a meta será e ressurreição, porque quando se morre verdadeiramente por amor, Deus não permitirá que a morte tenha a última palavra.
O que, aliás, acontecerá também com o ódio: para o ser humano, a morte nunca será a última palavra, porque ou se morre por amor e então ressuscitar-se-á para a vida eterna, ou se morre mergulhado no ódio e então ressuscitar-se-á para morte eterna.
Se calhar, os teólogos não exploraram ainda suficientemente este mistério do amor e do ódio, no momento supremo de se concluir a nossa história pessoal.
A minha é uma reflexão crepuscular: unindo a tarde com a madrugada, tentado outro sentido para a noite, sem atravessar a qual não se chega de um dia ao outro dia.
Hoje fala-se muito de objectivos; é bom que se dê importância à recomendação que nos vem já dos Romanos, inultrapassáveis mestres de prática política: in omnibus respice finem. O fim, como consequência, mas sobretudo como objectivo a alcançar.
É claro que, numa ética minimamente correcta, os fins não justificam os meios.
Mas também é verdade que quando se não sabe para onde se caminha, é impossível saber como se deve caminhar.
Os fins não justificam os meios, mas os meios, por muito correctos que sejam, só por acaso levam aos fins.
Ou eu me engano muito ou uma das razões que nos fazem andar todos à rasca, está na ausência de objectivos universais que permitam uma mobilização universal, ainda que com meios diferentes.
Mas como podem estabelecer-se fins universais onde não há valores universais? Andamos todos a correr atrás do imediato, que fascina mais do que mobiliza, desarmoniza mais do que pacifica.
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo (João: 13, 1).
Não sei se este até ao extremo traduz bem o “eis ta ésghata”, do grego. O que me parece é que o tradutor está demasiado inquieto com a cena de Jesus lavando os pés aos discípulos e não entende todo o alcance da afirmação de João, que quer levar-nos até ao mais íntimo do coração do Mestre, do seu amor pelo Pai, cuja vontade era a nossa salvação, da absoluta inteireza com que levou até ao fim a lealdade para com aqueles a quem chamava amigos.
Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá (João: 15,15-16).
E Jesus quer que os seus discípulos percebam o sentido desta amizade, que tem de existir também entre eles, com a mesma dinâmica e as mesmas exigências… até ao fim, no caminho e na meta: a meta será e ressurreição, porque quando se morre verdadeiramente por amor, Deus não permitirá que a morte tenha a última palavra.
O que, aliás, acontecerá também com o ódio: para o ser humano, a morte nunca será a última palavra, porque ou se morre por amor e então ressuscitar-se-á para a vida eterna, ou se morre mergulhado no ódio e então ressuscitar-se-á para morte eterna.
Se calhar, os teólogos não exploraram ainda suficientemente este mistério do amor e do ódio, no momento supremo de se concluir a nossa história pessoal.
A minha é uma reflexão crepuscular: unindo a tarde com a madrugada, tentado outro sentido para a noite, sem atravessar a qual não se chega de um dia ao outro dia.
Hoje fala-se muito de objectivos; é bom que se dê importância à recomendação que nos vem já dos Romanos, inultrapassáveis mestres de prática política: in omnibus respice finem. O fim, como consequência, mas sobretudo como objectivo a alcançar.
É claro que, numa ética minimamente correcta, os fins não justificam os meios.
Mas também é verdade que quando se não sabe para onde se caminha, é impossível saber como se deve caminhar.
Os fins não justificam os meios, mas os meios, por muito correctos que sejam, só por acaso levam aos fins.
Ou eu me engano muito ou uma das razões que nos fazem andar todos à rasca, está na ausência de objectivos universais que permitam uma mobilização universal, ainda que com meios diferentes.
Mas como podem estabelecer-se fins universais onde não há valores universais? Andamos todos a correr atrás do imediato, que fascina mais do que mobiliza, desarmoniza mais do que pacifica.
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