quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Depois da Depressão.1




Au diable la tiédeur!

É o título de um livrinho recente, tão recente, que ainda cheira à tinta das máquinas… passe a hipérbole. Tem este livrinho como título completo: Au diable la tiédeur! Suivi d’un Petit traité de l’essentiel.
É seu autor um jovem sacerdote cujo inconformismo parece estar na origem de um extraordinário movimento de recuperação da vida cristã e da prática religiosa, numa paróquia da diocese e cidade de Marselha, que, como acontece por toda a parte, na França e na Europa ocidental, parecia ter-se resignado à progressiva desertificação dos espaços de culto e celebração comunitária da Fé.

Au diable la tiédeur!
Difícil de traduzir em bom português, mas perfeitamente inteligível para quem, como o P. Michel-Marie Zanotti-Sorkine, está cansado das águas mornas em que se mergulha constantemente entre nós, deixando que se agrave a depressão do cristianismo, pelo menos na sua vertente missionária, contida nas incontornáveis palavras do Senhor, no chamado Sermão da montanha: Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu (Mt 5, 13-16).
Assim brilhe a vossa luz diante dos homens!
Não sei se resistirei por muito tempo à tentação de transcrever para aqui algum dos inúmeros passos deste livrinho, que, além de serem profundamente, diria, quase escandalosamente actuais, são fortemente mobilizadores; constituem agudíssimo acicate contra o desleixo e o abandono, tristes sintomas da falta de esperança que desmobiliza pessoas e comunidades.
A minha resistência, que não prometo levar até ao fim, funda-se no facto de o autor falar directamente, pelo menos na maior parte dos casos, para os seus colegas sacerdotes. Ainda que, como é evidente, tudo diga respeito a todos.
Hoje há quem fale muito da recessão económica, num país em que o pessimismo dos discursos – alguns não o são tanto, felizmente – acaba sempre por agravar a situação.
O pior de tudo é que se trata de uma mentalidade com perigosos reflexos em sectores, muitos sectores mesmo, com grande responsabilidade no interior da comunidade cristã.
E, como sinal de que quebrarei muitas vezes a tal resistência, termino com uma citação que traduzo livremente: Os problemas da sociedade têm a sua importância; se tens respostas, oferece-as; mas lembra-te que o essencial se encontra para além do tempo. Fala, pois, com coerência (página 48).
Não perder mais tempo a contar o que está à vista de todos, a fim de sobrar tempo e espaço para descobrir o que se esconde para além de ambos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

RENASCER

Uns dizem que sou preguiçoso, outros que tenho deixado nascer bolor por toda a parte. Aqui vai uma pequena mensagem para todos saibam que estou vivo e com vontade de escrever. Só não sei ao certo se valerá a pena.